domingo, 16 de agosto de 2009

Sabe aqueles dias que a gente não define bem o que está sentindo? Pois é... lembrei-me da música Roda Viva, do Chico Buarque.

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."

Fui deixando fluir o sentimento e me senti como uma semente segura pela terra. Dai pensei em quantas sementes essa terra aconchega e abriga. Muitas vezes é necessário um romper com atitudes, se jogar no espaço para se tornar uma planta que se alimenta de vida. Agora sei o que é ser uma semente.


Semente (Cleusa Vieira)

Hoje amanheci me sentindo uma semente

Envolvida pela casca dura que me detêm à explosão da vida

Protegida, mas humanamente querendo sair da condição de espera

Muito abrigo, pouco sonho, muita resignação

Pouco a pouco fui me imaginando com alma voadora

Alma que rompe o estado litúrgico

Cresci em afeto, em querer, no espaço

O calor da terra me deu meios para romper com as pressões

O escorrer da chuva me deu maciez no corpo e lágrimas pra me soltar

Lutei com o tempo, cantei as feridas, iludi o apego

Fui assim crescendo até ver bem de pertinho a claridade do sol

Agora posso sentir a brisa do ar, o orvalho, o barulho da vida

Não sou mais semente, eu sei

Não tenho mais abrigo, eu sei

Tenho agora pela frente um caminho para o crescimento

Uma janela para abrir com lampejos e suores a cada dia

Já não sou a mesma, mas me orgulho disso

Sinto uma força que me leva pra dentro de mim mesma

Sinto uma história que já faz parte de minhas veias

Agora como planta, me encanta cada gotícula da primavera

O caminho já me faz conter o pranto

Estou mais confiante nas estrelas, pois delas exalam pura convicção

A certeza de ser mais encanto e me propor esse canto que agora sorri em mim.