quarta-feira, 10 de março de 2010

MEUS ETERNOS VINTE E UNS

Hoje acordei diferente. Diferente dos outros 364 dias que compõem nosso calendário gregoriano. Muito mais alerta para os segundos que separam as horas e as horas que separam a vida.
O dia nasceu claro, o sol aberto, disposto a nos energizar até os poros mais secretamente ocultos. Os pássaros ditaram as notas da cantoria matinal e seguiram doces naquela maestria sonora. Corri com a memória os anos que me separam das minhas primeiras lembranças de um ser. A imagem é um dia de Reis, festa na rua, som e alegria. Bateres na porta para solicitar ajuda na festa. Tudo era composto com cores e fantasias brilhantes de centenas de foliões. Aos 5 anos de idade, aquilo me parecia mais uma revoada de pombos gigantescos arrulhando freneticamente pelas ruas de BH. As primeiras letras aprendidas também aos 5 anos com meu irmão mais velho -que ficou encantado, virou estrela - Renato, que se dispunha a me letrar, como forma de distrair sua irmã caçula, sem idade escolar e atividades diárias.
A mente correu longos anos, longas horas, longas lutas e longas alegrias. Daquelas primeiras lembranças, me vi hoje com altura, peso, maturidade, vivência e raciocínio distantes anos luz, mas, descobri que o brilho do olhar é ainda o mesmo. É ali, dentro dos olhos, que os anseios e sonhos permanecem ocultos e evidentes. É ali, dentro dos olhos, que a alma levita e dança uma cadência ritmada e descompassada, me elevando às porções do espaço nobre da vida. Foi com o olhar que aprendi a sonhar o sonho real, do querer, do compartilhar, do amar, do refletir, do escarnecer, do sintonizar, do repudiar, do levitar, do gargalhar, do humanizar.
Nesse caminho, na minha trilha, vou tecendo os rumos e pincelando as formas da minha história. Lapidando esse diamante que compõe o ser humano. Sem pressa, sem regras, sem amarras. Tentando a cada dia rever meus enganos, erros de cálculo, imperícias e imprudências. Assim tentando, vou seguindo rumo ao melhor de mim. Não o melhor que os outros acham que deva ser, mas o melhor que minha essência pode dar.
Hoje, dia 10 de março, completo mais uma primavera, colho mais uma flor, passeio nas 365 rotações planetárias e brindo à vida. Brindo ao amor, à luta, à determinação, à amizade, à paixão! Brindo a cada um e a todos que se fizeram presentes em minha história, em meus dias, em minhas vitórias, em meus fracassos!
Tantas foram as manifestações recebidas e que ainda sei que receberei hoje. Lindas formas de escutar o amor. Lindas formas de se receber o dom da vida. Todas especiais, delicadas. Uma delas, recebi da prima Ester. Um lindo telefonema. Tocou fundo minha alma, meu ser. Disse que em sua oração encaminhada a mim hoje, abriu a Bíblia Sagrada e lá estava o Salmo 71:6 - "Em Ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno Tu me tiraste, Tu és motivo para os meus louvores constantemente." E é a Ti, Senhor, que dedico essa minha jornada tão inundada de bênçãos e guardada de amor e alegria. Obrigada meu Deus! Obrigada meus pais! Obrigada minha família! Obrigada meus amigos! Obrigada pelos meus 21`ssss (fiquei de maior... rsrsrsrs)! Meus eternos vinte e unssssssss!!!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Côncavo e convexo artísticos de Niemeyer

Foto: Eugênio Sávio

Hoje é um dia histórico. Histórico politicamente e pela conquista de um futuro artístico arrojado e socialmente integrante. Hoje está sendo comemorado o dia do aniversário dos cem anos do presidente Tancredo Neves. Tancredo de Minas, da esperança, das lutas e glórias, do sonho da presidência democrática e da desilusão pela morte arrebatadora de seu líder. É também o dia da inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, um marco artístico e inclusivo.
Entrar na Cidade Administrativa é trilhar um futuro limpo e agregador do côncavo e convexo da arquitetura brilhante de Niemeyer, um gênio da composição do concreto, artístico, paisagístico e humano. Tudo se agrega. Tudo se integra. Tudo se enquadra. É ele o criador desse espaço inusitado e brilhantre de composição e traços. Bendito Tancredo, bendito Niemeyer, bendito Aécio Neves! São vibrantes de futuro e de humanidade.


Quando cheguei à Cidade Administrativa, no início do dia de hoje, fui tomada por um sentimento patriótico, de grande orgulho dessa nossa terra-Minas. Foi assim, paixão à primeira vista, daquelas que arrebentam todos os fios ligados à razão. Olhar essa majestosa obra de arte à distância é totalmente diferente de adentrar em seus mais misteriosos caminhos. É energia de amor, coisa que só pessoas dotadas de muita sensibilidade poderiam ofertar para nosso povo.
O maior vão livre do mundo prendia com sua energia os convidados, trabalhadores e políticos participantes. Ah, como é bom sentir o sonho dos mestres como Niemeyer e Tancredo! Imponente arte por sua dimensão, acolhedora por suas curvas e incorporação.
Logo no início, foram eles, os trabalhadores, que uniram tijolo por tijolo daqueles traços que iniciaram a festa. Anunciada pela mestre de cerimônia Cristiane Torloni, com seu encanto e lembranças do tempo das Diretas Já, fez arrepiar todos os sentidos naquela performance dinâmica dos trabalhadores que orquestravam com seus capacetes um ir e vir, pincelando nomes dos principais representantes de nossa histórica Minas Gerais. A cada gesto, a cada passo, se ouvia o som do Peixe Vivo, inundando de suavidade e orgulho os mais de 8 mil integrantes da solenidade. Aplausos verdadeiros se fizeram chegar àqueles que possuem a dureza da massa de mais de 4 mil metros cúbicos de concreto e a delicadeza do esculpir os entornos e contornos do maior vão livre do mundo, com seus 150 metros de cumprimento, resultando no côncavo e convexo olhar de Niemeyer.
Foto: Wellington Pedro

A seguir, Fafá de Belém, sozinha, vestida das cores da bandeira mineira na rampa que dá acesso ao auditório JK, cantou o Hino Nacional Brasileiro. Apenas sua voz e o microfone, depois um leve arranjo, um crescente aumento do agudo até se juntar às batidas dos corações do público. Coisa dos deuses! Maravilhosa voz e interpretação, a cada gesto dos braços e o balançar dos cabelos ao vento era como se ali estivesse sendo erguida a bandeira de Minas.
Agora, entra em cena nosso cantor das Gerais, Milton Nascimento, com Coração de Estudante, embalando as imagens da vida de Tancredo, Niemeyer e da construção da Cidade Administrativa, sonho maior de Aécio Neves. Muitas lembranças passaram por minha memória, dos tempos das Diretas Já, das ruas e das bandeiras em curvas sopradas pelo coral dos brasileiros exigindo o fim da ditadura militar. Lembranças dos sindicatos, do nacionalismo, dos ideais do nosso povo. Depois a dor pela perda do nosso primeiro representante civil que ocuparia o Palácio do Planalto e os nossos corações cheios de desejos de liberdade. Tempo histórico, vibrante e comovente.
O cenário agora é do neto de Tancredo, Aécio Neves. Fez um discurso perfeito, com tom de despedida. Despedida de Minas, seja como candidato ao Senado ou à presidencia da República. Politicamente e partidariamente Aécio não condiz com meus anseios de cidadã, mas se integra aos meus propósitos mais firmes da conciliação, harmonia e competência humana. Os presentes gritaram várias vezes por Aécio na presidência. Mas, estava ali o seu algoz político, José Serra, tirando do PSDB a única chance de seguir até o segundo turno na candidatura à presidência da República, em oposição à candidata do PT, ministra Dilma.
Política é assim, como nuvem vai e volta e se transforma a cada segundo. Acredito ainda que ao PSDB nada resta a não ser convocar Aécio para tomar frente ao cargo de candidato à presidência, juntamente com um vice do PMDB. O quadro político assim seria aberto, com José Serra candidato forte à reeleição do governo de São Paulo. Dilma por sua vez poderia se aliar abertamente ao Ciro Gomes, onde montariam uma parceria fortíssima para conquistar a vaga do Palácio do Planalto. Minas teria os candidatos Hélio Costa e Anastasia como vice; Patrus pelo PT e Itamar Franco ao Senado.
Dia de comemorações e sentimentos fortes. Parabéns Tancredo! Parabéns Niemeyer! Parabéns Aécio Neves! Parabéns ao povo mineiro! Parabéns ao trabalhador brasileiro!