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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Seimei e a Raposa* - Homenagem ao dia do professor
sábado, 26 de setembro de 2009
Fanatismo - Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !
Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !
E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."
A Canção Desesperada - Pablo Neruda

Aparece tua recordação da noite em que estou.
O rio reúne-se ao mar seu lamento obstinado.
Abandonado como o impulso das auroras.
É a hora de partir, oh abandonado!
Sobre meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos!
Em ti se ajuntaram as guerras e os vôos.
De ti alcançaram as asas dos pássaros do canto.
Tudo que o bebeste, como a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!
Era a alegre hora do assalto e o beijo.
A hora do estupor que ardia como um faro.
Ansiedade de piloto, fúria de um búzio cego
túrgida embriaguez de amor, Tudo em ti foi naufrágio!
Na infância de nevoa minha alma alada e ferida.
Descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!
Tu senti-se a dor e te agarraste ao desejo.
Caiu-te uma tristeza, Tudo em ti foi naufrágio!
Fiz retroceder a muralha de sombra.
Andei mais adiante do desejo e do ato.
Oh carne, carne minha, mulher que amei e perdi,
e em ti nesta hora úmida, evoco e faço o canto.
Como um vaso guardando a infinita ternura,
e o infinito olvido te quebrou como a um vaso.
Era a negra, negra solidão das ilhas,
e ali, mulher do amor, me acolheram os seus braços.
Era a sede e a fome, e tu foste à fruta.
Era o duelo e as ruínas, e tu foste o milagre.
Ah mulher, não sei como pode me conter
na terra de tua alma, e na cruz de teus braços!
Meu desejo por ti foi o mais terrível e curto,
o mais revolto e ébrio, o mais tirante e ávido.
Cemitério de beijos,existe fogo em tuas tumbas,
e os racimos ainda ardem picotados pelos pássaros.
Oh a boca mordida, oh os beijados membros,
oh os famintos dentes, oh os corpos traçados.
Oh a cópula louca da esperança e esforço
em que nos ajuntamos e nos desesperamos.
E a ternura, leve como a água e a farinha.
E a palavra apenas começada nos lábios.
Esse foi meu destino e nele navegou o meu anseio,
e nele caiu meu anseio, Tudo em ti foi naufrágio!
Oh imundice dos escombros, que em ti tudo caía,
que a dor não exprimia, que ondas não te afogaram.
De tombo em tombo inda chamas-te e cantas-te
de pé como um marinheiro na proa de um barco.
Ainda floris-te em cantos, ainda rompes-te nas correntes.
Oh sentina dos escombros, poço aberto e amargo.
Pálido búzio cego, desventurado desgraçado,
descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!
É a hora de partir, a dura e fria hora
que a noite sujeita a todos seus horários.
O cinturão ruidoso do mar da cidade da costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.
Abandonado como o impulso das auroras.
Somente a sombra tremula se retorce em minhas mãos.
Ah mais além de tudo. Ah mais além de tudo.
É a hora de partir. Oh abandonado.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Tuareg

Várias são as verdades que existem dentro da ótica de cada um. Também as mentiras são variadas a cada dia, espaço ou contexto em que são ditas. Até a religião é dotada de verdades adequadas às crenças e doutrinas existentes em grupos diversificados espalhados pelo mundo.
O que é verdade para mim, para o outro não passa de uma larga ilusão ou algo parecido com a conformidade do irreal. Existindo comunicação, existem também falhas e desfigurações. Quem conta um conto aumenta um ponto, não é assim? Então tudo realmente depende do referencial existente.
Hoje pude constatar mais uma vez a pluralidade das verdades e costumes do ser humano ao terminar a leitura de Tuareg, um romance e aventura de Alberto Vazquez-Figueroa. Segundo o dono da livraria Van Damme, um jovem de aproximadamente 60 anos, exímio leitor pela profissão ou exímio profissional pela leitura, o livro Tuareg é o que mais causa contentamento à sua ótica de leitor devorador de mais de quatro mil exemplares até hoje. Já leu 20 vezes o mesmo romance e os exemplares do campeão de satisfação de leitura ficam em uma prateleira especial, a quem possa interessar levá-los como companheiros desse prazer inigualável.
O romance de Alberto Vázquez-Figueroa descreve a vida de um tuareg - homem duro, orgulhoso, guerreiro do deserto do Saara. Segundo a tradição de seu povo, os tuareg são homens especiais, dotados de inteligência avultada, criados por Alá, pois se não fossem assim, como conseguiriam viver nessa região praticamente inóspita do planeta? Garcel Sayad é um tuareg seguidor de seus princípios e códigos de honra e vai até as últimas consequencias para cumprir a honra da hospitalidade, mudando inclusive, sem intenção, a política de seu país.
O livro segue uma trajetória ascendente e vai seduzindo o leitor a cada página, com narrativas bem elaboradas, enredo original e principalmente com um final extremamente inesperado.
A indicação do Sr. Van Damme é realmente um presente aos que gostam de um ótimo romance.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
10º Salão Internacional de Humor de Caratinga




Haverá a inauguração da Gibiteca “Turma do Pererê”, com a presença de Ziraldo e de seus amigos de infância - Alan, o macaco; Galileu, a onça; o coelho, Geraldinho; o jaboti, Moacyr; a coruja, Paulo Nogueira; o casal de João-de-barro, Quiquica; o tatu, Pedro Vieira; o Saci, o próprio artista. Outra inauguração expressiva para a cidade de Caratinga e para Minas Gerais é a “Casa Ziraldo”, que abrigará todo o importante acervo do cartunista e escritor em sua terra natal.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Proibido deitar no Parque Municipal
O grupo de teatro O Clube apresenta gratuitamente no Parque Municipal a peça é Proibido deitar, de 1 a 3 de setembro, às 14h e 16h, para alunos da rede pública de ensino, com idades entre 7 a 18 anos. Haverá também, duas apresentações abertas ao público nos dias 5 e 12 de setembro, às 16h.

Cinco personagens permanentemente cansados ocupam de modo nada convencional, o espaço do Parque Municipal de Belo Horizonte, trazendo ao público e aos seus freqüentadores, um espetáculo ao mesmo tempo crítico e bem humorado, numa performance pós-dramática, influenciada por importantes tendências da arte contemporânea. Mesmo exaustos, eles criam artifícios para manter-se de pé e estão sempre prontos para o que está por vir.
A criação do espetáculo Proibido deitar foi viabilizada pelo Prêmio Cena Minas 2008. O governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Cultura e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), criou o prêmio para assegurar que os alunos da rede pública de ensino tenham acesso gratuito a espetáculos de qualidade, promovendo a formação de público por meio da ampliação do acesso à arte. O espetáculo conta também com o apoio do Instituto Cultural Sérgio Magnani e do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet.

A primeira temporada do espetáculo foi realizada no Parque Municipal, entre 30 de junho e 16 de julho e contou com a presença de mais de 1800 espectadores.
A direção é de Rita Clemente, indicada ao Prêmio Shell SP 2008 e Prêmio Qualidade Brasil SP 2008 com Amores Surdos (Grupo Espanca!). Rita Clemente é graduada em Educação Artística pela UEMG e em Artes Cênicas pela Fundação Clóvis Salgado – onde lecionou, durante 10 anos, no Curso Técnico de Formação de Atores. Foi ainda professora no Curso de Licenciatura em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto.

O elenco de Proibido deitar é composto pelos integrantes do grupo O Clube, com experiências e formações profissionais distintas, como Carolina Rosa, graduada em Artes Cênicas pela UFMG; Patrícia Siqueira, com ampla formação em teatro e dança contemporânea; Isaías Campara; Daniel Toledo e Regina Ganz - que assina também a Produção Executiva da peça, formados pelo Curso Livre de Teatro do Galpão Cine Horto.
Contatos no telefone 31 8887-5091.
Fotos: Teresa Marinho
domingo, 23 de agosto de 2009
Livro: a alma de cada escritor
Hoje, faço aqui uma homenagem aos escritores do mundo através do Paulo Coelho (foto). O autor de livros como "O Diário de um Mago", "As Valkírias", "O Alquimista" já vendeu em todo o mundo mais de 100 milhões de exemplares e foi o autor mais vendido do mundo no ano de 2003 com o livro "Onze Minutos". Recebeu em 2008 o prêmio "Guinness World Record" com "O Alquimista" pelo livro mais traduzido do mundo (67 idiomas). Paulo Coelho comemora amanhã, dia 24 de agosto, 62 anos. Parabéns ao brasileiro, escritor, blogueiro, artista, compositor e pacifista!
domingo, 16 de agosto de 2009

Hoje amanheci me sentindo uma semente
Envolvida pela casca dura que me detêm à explosão da vida
Protegida, mas humanamente querendo sair da condição de espera
Muito abrigo, pouco sonho, muita resignação
Pouco a pouco fui me imaginando com alma voadora
Alma que rompe o estado litúrgico
Cresci em afeto, em querer, no espaço
O calor da terra me deu meios para romper com as pressões
O escorrer da chuva me deu maciez no corpo e lágrimas pra me soltar
Lutei com o tempo, cantei as feridas, iludi o apego
Fui assim crescendo até ver bem de pertinho a claridade do sol
Agora posso sentir a brisa do ar, o orvalho, o barulho da vida
Não sou mais semente, eu sei
Não tenho mais abrigo, eu sei
Tenho agora pela frente um caminho para o crescimento
Uma janela para abrir com lampejos e suores a cada dia
Já não sou a mesma, mas me orgulho disso
Sinto uma força que me leva pra dentro de mim mesma
Sinto uma história que já faz parte de minhas veias
Agora como planta, me encanta cada gotícula da primavera
O caminho já me faz conter o pranto
Estou mais confiante nas estrelas, pois delas exalam pura convicção
A certeza de ser mais encanto e me propor esse canto que agora sorri em mim.
sábado, 15 de agosto de 2009
Turma do Pererê
Amigos e amigos-irmãos



Uns me invejam,
outros me odeiam,
alguns me querem bem,
mas poucos me amam.
Odeio egoísmo, arrogância, pessoas falsas e pretensiosas.
E odeio excessivamente os pré-julgamentos.
Mostro ser forte e durona,
mas sou muito frágil e sensível.
O amor é, sem dúvida,
o sentimento mais nobre que existe.
Não gosto dos que falam sem pensar...
Sem medir as palavras.
Eu enxergo muito além do óbvio.
Tenho visão seletiva...
Na verdade, eu estou bastante seletiva.
Tenho meus medos,
minhas alegrias,
desejos e fantasias.
Na maioria das vezes,
sou o que falo e não o que faço.
Adoro política ...
Estou à beira de uma revolução.
Tenho um lado sensivel,
aliás, quem não tem?
Guardo minhas agendas, cartas, fotos.
Tenho fome por conhecimento.
Aprendi a aceitar os defeitos...
Relevar os erros.
Aprendi que o medo no fundo nos dá coragem.
Para seguir adiante...
Sempre! Mesmo."
GRAÇA HESS
1º BH Humor

Meditação ao alcance de todos
MEDITAÇÃO
O "paraíso portátil" ao alcance de todo
Nessa entrevista exclusiva ao informativo Cultura para Paz, o monge Naradananda, discípulo de Paramahansa Yogananda, explica os benefícios da meditação para o nosso dia-a-dia. Seu mestre, Paramahansa Yogananda, autor do livro Autobiografia de um Iogue – é considerado um dos maiores instrutores espirituais da atualidade e foi um dos primeiros mestres da Índia a trazer para o Ocidente as técnicas milenares da ciência da meditação.
Nascido em 1893, em Gorakhpur, no norte da Índia, Yogananda passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde escreveu extensivamente sobre a arte de viver em harmonia e onde fundou aSelf-Realization Fellowship, que tem a finalidade de disseminar e preservar a pureza e a exatidão dos seus ensinamentos para a posteridade. O monge Naradananda é membro da Ordem Monástica da Self-Realization Fellowship há mais de 35 anos e esteve recentemente em visita ao Brasil, dando palestras e iniciação emKriya Yoga, uma técnica científica e avançada de meditação.
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Vejam como está o mundo hoje. Será que as pessoas são felizes? Estão satisfeitas? Estão seguras? Vejam como se encontra a economia! Vejam o que está acontecendo nestes dois últimos meses! Algumas pessoas perderam todos os seus bens.
Acho que as pessoas estão, cada vez mais, procurando algo diferente daquilo que os bens materiais podem lhes oferecer, porque se dão conta de que essas coisas não são suficientes para lhes fazer felizes!
Deparamo-nos com muitas coisas ruins, as absorvemos e elas impressionam nossa mente, causando bastante tensão. As pessoas não foram treinadas para lidar com esse tipo de situação. De um lado, há inteligência, há talento, mas, por outro, há demasiada pressão para desenvolver esses talentos. A pessoa se questiona: “Como posso ser feliz com tanta pressão? Preciso cuidar da minha família, quero ter uma carreira próspera, mas há muita pressão ao meu redor!”
Nos séculos passados, havia mais harmonia, mais calma, maior possibilidade de convivência com a natureza. Hoje em dia, a tendência é a de acumular muitas coisas externas para distrair nossa atenção e tirar nossa calma. Precisamos de uma “trégua”, precisamos relaxar. Estamos muito tensos. É por isso que as pessoas procuram algo que lhes proporcione verdadeira paz, que afaste a tensão, que possa trazer realização perene. E temos, para isso, a meditação ao nosso alcance.
Paramahansa Yogananda previu que isto ocorreria: toda essa preocupação que estamos vivendo atualmente. Então, por isso, penso que a Ioga e a meditação oferecem alívio às coisas que estão ocorrendo.
Qual é o objetivo principal da Self-Realization Fellowship?
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O objetivo principal da Self-Realization Fellowship, estabelecido pelo nosso fundador, Paramahansa Yogananda, é disseminar, no mundo inteiro, os ensinamentos para o aprendizado da meditação. Só assim poderemos compreender que somos mais do que este corpo físico, mais do que a mente, que temos uma centelha divina residindo em nosso corpo, a alma, que faz com que possamos ter controle sobre o nosso corpo.
O objetivo principal da meditação é ter a experiência de Deus. Todos nós podemos descobrir isso se fizermos o esforço, mesmo neste mundo tão agitado. Iremos encontrar dentro de nós o amor, a alegria, a paz, a calma e a segurança. Paramahansa Yogananda chamou isso de “paraíso portátil”. As técnicas de meditação que ele nos ensinou permitem que possamos nos interiorizar e sentir que somos almas, que somos filhos de Deus e que temos o direito, como têm os filhos de quaisquer pais, de receber Dele essa atenção, ou seja, de poder sentir a presença de Deus aqui e agora.
Paramahansa Yogananda nos ensinou, no entanto, que a meditação é metade da batalha e que a outra parte é aprender a amar a Deus. Ou seja, desenvolver a devoção, que nos motiva a percebermos que Deus é amor e que o nosso maior objetivo é o amor. Queremos o amor e queremos ser amados. Deus é esse amor supremo. Então, assim que tivermos isso, estaremos plenamente satisfeitos.
Além das técnicas, Paramahansa Yogananda nos deu outro método: o do caminho equilibrado. E como é esse princípio? Como podemos conduzir nossas vidas em meio a tantas circunstâncias diferentes? Podemos começar através da alimentação, do exercício físico e da redução da tensão. Experimentamos tensão física, mental, psicológica – muitas coisas que precisam ser eliminadas. Yogananda nos deixou ensinamentos para nos ajudar a ser felizes. E é isto que queremos: ser felizes. Mas queremos ser eternamente felizes. Esta é a chave. Podemos ter vestígios de felicidade, mas ela não é permanente.
Precisamos ter o conhecimento mais profundo de nós mesmos como almas e perceber que Deus é quem nos dará essa felicidade duradoura – uma felicidade que ficará conosco não apenas nesta vida, mas em outras também.
O que faz com que a Kriya Yoga seja considerada uma técnica de meditação avançada?![]() | |
Paramahansa Yogananda diz que normalmente levam-se anos para se obter apenas um pequeno desenvolvimento ou avanço espiritual. Esse “avanço” se encontra inter-relacionado à coluna vertebral, onde existem diversos centros de energia vital que executam diferentes funções no corpo. Com a Kriya Yoga nós aprendemos a controlar certas correntes de energia e fazer com que elas circulem em volta desses centros através de métodos que têm essa finalidade. Por meio dessa prática, aprendemos a acalmar naturalmente a nossa respiração, a reduzir os batimentos cardíacos – o que, essencialmente, fazemos no sono. Quando dormimos, a energia retorna à coluna vertebral e ao cérebro, mas isto é feito inconscientemente. Por que nos sentimos descansados quando dormimos? Porque, inconscientemente, entramos em contato com nossa verdadeira natureza. Mas, também podemos fazer isso conscientemente, pela prática da Kriya Yoga.
Esse é o objetivo principal dessa técnica, praticando-a regularmente e de forma consciente, somos capazes de experimentar mais a paz e a alegria que sentimos quando dormimos. Quando dormimos profundamente, sabemos, ao acordar, que tivemos um sono tranqüilo porque nos sentimos revigorados. Dizemos que é porque dormimos bem, mas não sabemos o que aconteceu. Com a meditação, vocês realizam isso com a consciência do que está acontecendo.
Como podem a prática da Ioga e dos ensinamentos da SRF contribuir para a paz mundial?
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A alma, nossa verdadeira natureza, faz parte de nosso ser, no seu estado natural. A paz, a calma, a serenidade são o oposto da agitação, das lutas que estão em conflito com a alma e que imperam no mundo. Obviamente, há países, religiões e vários fatores diferentes que contribuem para esses conflitos. Quando, porém, por meio da meditação começamos a perceber que existe nas outras pessoas algo – uma essência – que “se parece comigo” e quando procuramos saberquem elas realmente são, entramos em contato com aquele verdadeiro ser que brilha dentro de cada um de nós. Quando compreendemos isso, há uma manifestação natural de paz, de calma e percebemos as pessoas como irmãos ou irmãs, porque podemos sentir que somos almas como elas próprias são. Não enxergamos apenas um país distinto, com suas diferenças sócio-políticas, ou uma religião em particular, com seus rituais ou dogmas; podemos ver e aceitar a todos num contexto muito mais amplo, numa expansão de consciência.
Quando meditamos, isto realmente acontece. A meditação expande a consciência humana tornando-a divina. Paramahansa Yogananda fala disso naAutobiografia de um Iogue. Ele explica que já estamos na era atômica e fala dessa energia em particular, de como ela pode ser canalizada de forma construtiva. A meditação é o meio de utilizarmos essa energia para o nosso benefício e para o bem de todos.
Como conheceu a Self-Realization Fellowship e por que resolveu tornar-se monge?
Nasci no centro dos Estados Unidos da América, exatamente no sul de Chicago, em uma fazenda. Cresci em meio à natureza. Como todos os jovens, fui à faculdade e me formei. Nos anos 1970, havia um grande interesse pela Ioga. Dei-me conta que, apesar de ter um diploma de bacharel, não me sentia totalmente feliz. Tinha uma carreira, queria ter dinheiro, mas também pensava: “preciso viver”. Já tinha lido algo sobre a Ioga, quando, ao ler uma revista, vi um anúncio sobre a Autobiografia de um Iogue e pensei: “Isto parece interessante.” Encomendei o livro e três dias depois, já tinha acabado de ler.
Percebi que na capa do livro havia uma nota dizendo que era possível solicitar lições para aprender a meditação. Parecia como um barco salva-vida. Era aquilo que precisava e queria. Mas, ao mesmo tempo, sabia que Paramahansa Yogananda era um monge e tinha lido um pouco sobre a sua ordem monástica. Podem chamar isto de “impulso” – porém, havia dentro de mim, um sentimento muito forte, que me dizia que não poderia realmente ser feliz a menos que fizesse aquilo 100%; não poderia ser 50%; não poderia ser 75%. Precisava fazer aquilo 100%. Pode parecer engraçado, mas quando escrevi à Self-Realization Fellowship para pedir as lições, disse no segundo parágrafo: “A propósito, gostaria de ser monge!”
Muito cortesmente, responderam: “Recomendamos, mas, antes de qualquer coisa, deve começar a praticar as lições.” Levou mais ou menos três anos antes de conseguir entrar no ashram. Mas mantive o desejo. E não me arrependo!
O senhor mora num ashram? Como é o cotidiano da comunidade?
Moro atualmente em um ashram que é um dos mais novos da SRF, fundado em 1980, chamado Hidden Valley. Está situado no leste da Califórnia, perto de San Diego e Encinitas. É um ashram para homens que desejam experimentar a vida monástica, sem precisar assumir esse compromisso. É também um retiro espiritual, onde as pessoas podem vir passar os finais de semana, ou ficar até por três semanas.
O ashram fica no interior, longe da cidade, na natureza; é muito sossegado. Sou muito feliz. Estou de volta aos meus dias na fazenda, quando era criança.
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Um dia típico no ashram é assim: acordamos aproximadamente às 5:30h da manhã. Realizamos uma meditação individual e depois uma meditação em grupo. Após o café da manhã, iniciamos as tarefas. Como moramos em uma fazenda, há muitas tarefas típicas de qualquer estabelecimento ligado à agricultura como, por exemplo, cuidar de árvores, das plantas, dos jardins, etc. Temos também jardins para meditação, dos quais cuidamos, eliminando as ervas daninhas, podando arbustos, plantando flores, etc. Como dispomos de uma grande área, alguns cuidam também da manutenção dos edifícios e do conserto de carros, tratores e ferramentas.
Alguns realizam tarefas na cozinha. Eu trabalho no escritório, coordenando as tarefas administrativas deste ashram em particular. Dentro de nossa rotina monástica, estão incluídos aconselhamento aos visitantes e residentes, ao ar livre. Ao meio dia, praticamos uma meditação em grupo e depois almoçamos. Voltamos às nossas tarefas até às 16:30h, quando temos um período de recreação onde jogamos vôlei, praticamos hatha yoga ou qualquer outra atividade física. O ashram oferece muito espaço ao ar livre, onde podemos caminhar, correr e fazer diversas coisas em conexão com a natureza. No final da tarde, após um jantar leve, realizamos novamente uma meditação em grupo, seguido de um período para estudo e meditação pessoal, antes de nos recolhermos.
Nos finais de semana, temos serviços de meditação com duração mais longa. Tudo isso proporciona muito equilíbrio. Procuramos praticar o silêncio o maior tempo possível – não apenas silêncio pelo silêncio em si, mas praticar o silêncio como fazia o místico católico do século XVII Irmão Lourenço – isto é, falar com Deus interiormente, praticando a presença Dele em nossas vidas. Isto nos ajuda muito.
Entrevista exclusiva fornecida ao Informativo Cultura para a Paz - Omnisciência, durante a visita monástica da Self-Realization Fellowship ao Brasil, em outubro de 2008. Pede-se a citação da fonte para a reprodução dessa entrevista.
Conheça os grupos de meditação e retiros da
Self-Realization Fellowship no Brasil - Site oficial
Matéria transcrita do site da Editora
http://www.omnisciencia.com.br/News/entrevista_1.html





