quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Seimei e a Raposa* - Homenagem ao dia do professor






Por: Adaptação Prof. Dr. Marcos Ferreira Santos

Mukashi... mukashi**...



Havia um mestre chamado Nakamaro
Profundo conhecedor das coisas
Convidado a estudar na China pelo próprio imperador,
Tornou-se venerável professor, mas nunca mais,
Para sua terra, Nihon, nas ilhas do Japão, retornou.
Um de seus descendentes,
Samurai de nome Abeno-Yasuna,
Exímio arqueiro e galopador,
Não entendia o que guardavam as letras,
As palavras dos livros, das artes e das ciências.
Incapaz de honrar seu ancestral,
Resolveu ter um filho
Estudioso, que fosse como o tal,
Um venerável mestre e professor.
Recolhia-se, todos os meses, na floresta de Shinoda
A rezar para os deuses, para cumprir o destino,
Um filho que fosse como seu ancestral,
Um venerável mestre e professor.
Num outono de vento forte e flores vermelhas,
Quando se recolhia Amaterasu, deusa do Sol,
E Marishi-ten, a deusa do raio de luz, deitava-se ao mar,
Depois de rezar e pedir com fervor.
Quis em zazen a paisagem contemplar,
Seus servos montaram uma tenda rápida,
Recolheram-se em cantigas a contar velhas histórias
E a tomar sakê, o vinho das lágrimas,
Memória líquida dos campos de arroz.
Naquele momento, entrou na tenda -
Rápida e fugaz - uma coisa castanha
De grossa cauda macia e vermelha.
No kimono de Yasuna, a se esconder sob sua manga,
Chorosa e assustada, uma raposa, bela e pequena.
Logo se ouviram tambores e samurais gritando
Pela tenda adentro, insultando e tudo revirando.
Pela raposa esguia perguntando:
- Somos servos do senhor Ishikawa,
Irmão do vidente Dôman Ashiya.
Procuramos pela raposa fugitiva!
Yasuna, indignado com a falta de respeito,
Com golpes certeiros de sua kataná
Expulsa todos os samurais.
Já longe, os perseguidores em fuga,
Diz à raposa para se esconder na floresta
E não mais voltar, a guardar a vida que lhe resta.
O olhar da raposa, em gratidão e ternura,
Com castanho sentimento penetrou sereno
O pequeno coração do grande Yasuna.
Ao voltar para casa, na estrada,
Yasuna e os seus foram cercados e atacados
- Ishikawa mandou prendê-lo a sofrer castigo.
Todos lutaram, bravamente, mas sucumbiram,
Ficando Yasuna, o bravo arqueiro, a resistir sozinho.
Preso e ferido foi ter com Dôman, o vidente que disse:
- De Ishikawa está doente a querida esposa
E só o coração da fêmea raposa a poderia salvar.
A deixaste fugir e, agora, a espada de Ishikawa
Vingará com tua vida a tarefa perdida
Já no alto a espada de Ishikawa luzindo,
Alguém interfere aos brados perquirindo:
- Ah, Senhor Ishikawa, o que estás
A fazer tão longe de teu pagode?
Yasuna levanta a cabeça e vê nobre cavaleiro-monge
Do vale à montanha, da montanha ao monte,
Cavalo de sombras anda desperto; anda liberto.
De barba branca, voz marinha e dedos de raiz.
- Senhor monge do templo de Fuji!
Era o guardião dos antepassados de Ishikawa
Recrimina o nobre em ato tão vil e pobre:
- Isso não é bom, caçar raposa para a vida de sua esposa salvar.
Agora quer tirar de outra pessoa a vida, castigo virá...
Se, ao contrário, salvas; podes a tua família exemplar.
Ishikawa liberta das cordas Yasuna
E o deixa com o cavaleiro-monge para que,
Na contemplação do Zen, monge se torne também.
Caminhando juntos pelas sendas da floresta além,
Yasuna agradece a vida salva e lhe responde o cavaleiro-monge:
- Eu é que ainda tenho a agradecer pela vida que me salvaste
Em uma situação tão estranha...
Então, ao olhar para o cavaleiro-monge, tão-somente vê
A pequena e bela raposa castanha.
Mas, sem dizer palavra, ela se embrenha na mata.
Yasuna intenta alcançá-la, mas em vão, porém,
E ela volve a olhar para trás, uma e outra vez,
O olhar da raposa em gratidão e ternura
Com castanho sentimento penetrou sereno
O coração pequeno do grande Yasuna.
Cansado e ferido, ouve murmúrio de rio,
Deita-se à margem a beber da água cristalina
E se surpreende diante da figura repentina
Jovem bela que lava roupa na correnteza
Como se à biwa estivesse, entoa divina cantiga.
Empalidece a paisagem com sua beleza.
Assustada, recua e empalidece.
- Não temas; não fujas menina da lua cheia!
Yasuna lhe conta sua saga e desfalece
Ela o socorre, feridas cuida e o alimenta.
Ao querer partir, agradecido,
Ela aconselha, com olhar enternecido:
- Espera a primavera, arqueiro Yasuna,
E aguarda a neve derreter.
Assim, ele o fez; e feliz a viver como casal, não tardou a
Nascer do amor dos dois um menino:
Seimei, seu nome foi escolhido e
Foi tão sonhado, tão pedido, tão querido...
Yasuna caçava, cuidava da roça e do arroz,
Letrava o menino, cuidava da esposa.
Ela tecia estampas para os kimonos
Com flores vermelhas como o outono.
Sakura bordava cerejeiras em flor.
Trabalhava tanto que um dia desmaiou
Sobre a roda, a roca e os fusos.
O filho confuso chama o pai a socorrer
E, sob os tecidos deitados no chão,
só vão encontrar, no lugar da esposa,
A pata peluda em vermelhos tufos
Da mesma pequena e castanha raposa:
- Já não posso esconder, não posso ficar.
Diz chorosa a raposa e na floresta vai se refugiar.
O olhar da raposa em gratidão e ternura
Com castanho sentimento penetrou sereno
O coração pequeno do grande Yasuna.
No dia seguinte, na parede do quarto,
Um tanka, um poema gravado:
“Venha à floresta de Shinoda
“se saudades de mim sentir”,
Seimei reconhece da mãe, a letra,
E com o samurai Yasuna, seu pai,
Se vão à busca: moitas, sarças, troncos, tocas,
Chorando o menino no meio da mata de Shinoda,
Sentindo a falta, da mãe ou raposa, pouco importa.
A dorida raposa-mãe ouve o lamento
Não resiste e aparece, alivia o sofrimento:
- Dar-te-ei dois presentes para te guiar:
Uma caixa com um gofû – carta sagrada do Dragão do Mar,
Com a qual tudo tu podes ver, dentro e fora e tudo mais,
E uma esfera que te revela, ao ouvido, toda fala,
E o que dizem, em segredo, os animais.
Terás, então, a abrir-te os caminhos,
O sentimento e a razão, a esfera e a caixa,
Yin e Yang e o equilíbrio: eis o mistério triplo.
Guarda o conhecimento no coração
- Que é de onde veio e para onde irá -
E ninguém de ti o tirará.
Assim, trilharás bem o teu shinto
- O teu caminho.
E cuida com carinho de quem te necessitar
Por mais estranha que seja a situação que te ocorra
Mesmo sendo uma pequena e castanha raposa.
Seimei assim a casa retornou,
Estudou as letras e ouviu histórias.
Do ancestral Nakamaro muito aprendeu.
Com vitória, aos baku, combateu
Comedores de sonhos que habitam o desespero
Com esmero e cuidado, obedeceu às estrelas.
Plantou jardins, amou árvores e pescou nos mares.
Ressuscitou ao pai, Yasuna, que
Morrera de saudades da raposa.
Cantou e observou a natureza,
E foi grande mestre e profundo conhecedor.
Assim se cumpriu sua destinação de professor:
Sob um formoso arco-íris em plena chuva,
Vivem o arqueiro, o cavaleiro-monge e a bela esposa,
na alma da pequena e castanha raposa.
O olhar da raposa em gratidão e ternura
Com castanho sentimento penetrou sereno
O coração pequeno do grande Yasuna.
E a ressoar em profunda voz
Aninha-se no coração de todos nós.

* Poema baseado em mito também conhecido como “O monge e a raposa”, a partir de KAWAI, Mitsuko (1997). Lendas do Japão. São Paulo: Editora do Escritor/Luz e Silva Editor.
O cavaleiro-monge é a paráfrase de Fernando Pessoa (“Do vale à montanha”, 24/10/1932 e musicado por Tom Jobim), e possui, nesta narrativa mítica, as características de Jurojin, um dos sete deuses (kami) japoneses, símbolo da longevidade e da sabedoria, e um dos introdutores míticos do Zen (contemplação); bem como características de Bishamon, guerreiro e missionário, deus da abundância. A jovem esposa se assemelha à Benten ou Benzai-ten, deusa do mar e dos rios, das artes e do feminino, que na iconografia aparece tocando biwa (tradicional instrumento de cordas semelhante à mandolina). Em algumas versões, a própria raposa aparece como mensageira da deusa Inari, protetora dos ferreiros e do arroz.
Texto adaptado pelo Prof. Dr. Marcos Ferreira Santos (www.marculus.net), livre-docente da Faculdade de Educação da USP, professor de mitologia comparada e de “Cultura & Educação”.

** Bordão tradicional japonês para iniciar a récita de antigas histórias. Pronunciado em tom encantatório e lento, equivale a dizer “há muito, muito, muito tempo atrás...”

sábado, 26 de setembro de 2009

Fanatismo - Florbela Espanca


Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."

A Canção Desesperada - Pablo Neruda

pablo-neruda


Aparece tua recordação da noite em que estou.
O rio reúne-se ao mar seu lamento obstinado.

Abandonado como o impulso das auroras.
É a hora de partir, oh abandonado!

Sobre meu coração chovem frias corolas.
Oh sentina de escombros, feroz cova de náufragos!

Em ti se ajuntaram as guerras e os vôos.
De ti alcançaram as asas dos pássaros do canto.

Tudo que o bebeste, como a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!

Era a alegre hora do assalto e o beijo.
A hora do estupor que ardia como um faro.

Ansiedade de piloto, fúria de um búzio cego
túrgida embriaguez de amor, Tudo em ti foi naufrágio!

Na infância de nevoa minha alma alada e ferida.
Descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!

Tu senti-se a dor e te agarraste ao desejo.
Caiu-te uma tristeza, Tudo em ti foi naufrágio!

Fiz retroceder a muralha de sombra.
Andei mais adiante do desejo e do ato.

Oh carne, carne minha, mulher que amei e perdi,
e em ti nesta hora úmida, evoco e faço o canto.

Como um vaso guardando a infinita ternura,
e o infinito olvido te quebrou como a um vaso.

Era a negra, negra solidão das ilhas,
e ali, mulher do amor, me acolheram os seus braços.

Era a sede e a fome, e tu foste à fruta.
Era o duelo e as ruínas, e tu foste o milagre.

Ah mulher, não sei como pode me conter
na terra de tua alma, e na cruz de teus braços!

Meu desejo por ti foi o mais terrível e curto,
o mais revolto e ébrio, o mais tirante e ávido.

Cemitério de beijos,existe fogo em tuas tumbas,
e os racimos ainda ardem picotados pelos pássaros.

Oh a boca mordida, oh os beijados membros,
oh os famintos dentes, oh os corpos traçados.

Oh a cópula louca da esperança e esforço
em que nos ajuntamos e nos desesperamos.

E a ternura, leve como a água e a farinha.
E a palavra apenas começada nos lábios.

Esse foi meu destino e nele navegou o meu anseio,
e nele caiu meu anseio, Tudo em ti foi naufrágio!

Oh imundice dos escombros, que em ti tudo caía,
que a dor não exprimia, que ondas não te afogaram.

De tombo em tombo inda chamas-te e cantas-te
de pé como um marinheiro na proa de um barco.

Ainda floris-te em cantos, ainda rompes-te nas correntes.
Oh sentina dos escombros, poço aberto e amargo.

Pálido búzio cego, desventurado desgraçado,
descobridor perdido, Tudo em ti foi naufrágio!

É a hora de partir, a dura e fria hora
que a noite sujeita a todos seus horários.

O cinturão ruidoso do mar da cidade da costa.
Surgem frias estrelas, emigram negros pássaros.

Abandonado como o impulso das auroras.
Somente a sombra tremula se retorce em minhas mãos.

Ah mais além de tudo. Ah mais além de tudo.
É a hora de partir. Oh abandonado.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tuareg

A cada dia fica mais límpida a frase sábia dita por meu professor de física, quando era adolescente: - "tudo na vida depende do referencial." A palavra referencial na época representava, pra mim, apenas um pano de fundo no mundo da física, com seus sistemas de coordenadas que servem para medir grandezas como velocidade, aceleração e outras mais. Com o tempo, pude observar nos dias que fluíram mansamente ou desordenadamente em minha vida, que a frase era bem mais profunda que imaginava ser.

Várias são as verdades que existem dentro da ótica de cada um. Também as mentiras são variadas a cada dia, espaço ou contexto em que são ditas. Até a religião é dotada de verdades adequadas às crenças e doutrinas existentes em grupos diversificados espalhados pelo mundo.

O que é verdade para mim, para o outro não passa de uma larga ilusão ou algo parecido com a conformidade do irreal. Existindo comunicação, existem também falhas e desfigurações. Quem conta um conto aumenta um ponto, não é assim? Então tudo realmente depende do referencial existente.

Hoje pude constatar mais uma vez a pluralidade das verdades e costumes do ser humano ao terminar a leitura de Tuareg, um romance e aventura de Alberto Vazquez-Figueroa. Segundo o dono da livraria Van Damme, um jovem de aproximadamente 60 anos, exímio leitor pela profissão ou exímio profissional pela leitura, o livro Tuareg é o que mais causa contentamento à sua ótica de leitor devorador de mais de quatro mil exemplares até hoje. Já leu 20 vezes o mesmo romance e os exemplares do campeão de satisfação de leitura ficam em uma prateleira especial, a quem possa interessar levá-los como companheiros desse prazer inigualável.

O romance de Alberto Vázquez-Figueroa descreve a vida de um tuareg - homem duro, orgulhoso, guerreiro do deserto do Saara. Segundo a tradição de seu povo, os tuareg são homens especiais, dotados de inteligência avultada, criados por Alá, pois se não fossem assim, como conseguiriam viver nessa região praticamente inóspita do planeta? Garcel Sayad é um tuareg seguidor de seus princípios e códigos de honra e vai até as últimas consequencias para cumprir a honra da hospitalidade, mudando inclusive, sem intenção, a política de seu país.

O livro segue uma trajetória ascendente e vai seduzindo o leitor a cada página, com narrativas bem elaboradas, enredo original e principalmente com um final extremamente inesperado.

A indicação do Sr. Van Damme é realmente um presente aos que gostam de um ótimo romance.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

10º Salão Internacional de Humor de Caratinga






O 10º Salão Internacional de Humor de Caratinga acontece a partir de 16 de novembro e se estabelece como o mais tradicional evento cultural da região do leste do Estado, figurando entre os melhores salões de humor do Brasil. Os interessados podem se candidatar às categorias Cartum, Charge e Caricatura, com tema livre para a Caricatura Temática do cantor caratinguense Agnaldo Timóteo, o grande homenageado desse ano.

Haverá a inauguração da Gibiteca “Turma do Pererê”, com a presença de Ziraldo e de seus amigos de infância - Alan, o macaco; Galileu, a onça; o coelho, Geraldinho; o jaboti, Moacyr; a coruja, Paulo Nogueira; o casal de João-de-barro, Quiquica; o tatu, Pedro Vieira; o Saci, o próprio artista. Outra inauguração expressiva para a cidade de Caratinga e para Minas Gerais é a “Casa Ziraldo”, que abrigará todo o importante acervo do cartunista e escritor em sua terra natal.

O Salão recebe trabalhos de todas regiões do Brasil e de mais 35 países, que concorrem ao “Troféu Pererê” e a uma premiação de R$ 20 mil reais, distribuídos entre os vencedores nas diversas categorias. O regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis no site www.salaodehumordecaratinga.com



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Proibido deitar no Parque Municipal

O grupo de teatro O Clube apresenta gratuitamente no Parque Municipal a peça é Proibido deitar, de 1 a 3 de setembro, às 14h e 16h, para alunos da rede pública de ensino, com idades entre 7 a 18 anos. Haverá também, duas apresentações abertas ao público nos dias 5 e 12 de setembro, às 16h.

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Cinco personagens permanentemente cansados ocupam de modo nada convencional, o espaço do Parque Municipal de Belo Horizonte, trazendo ao público e aos seus freqüentadores, um espetáculo ao mesmo tempo crítico e bem humorado, numa performance pós-dramática, influenciada por importantes tendências da arte contemporânea. Mesmo exaustos, eles criam artifícios para manter-se de pé e estão sempre prontos para o que está por vir.

A criação do espetáculo Proibido deitar foi viabilizada pelo Prêmio Cena Minas 2008. O governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Cultura e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), criou o prêmio para assegurar que os alunos da rede pública de ensino tenham acesso gratuito a espetáculos de qualidade, promovendo a formação de público por meio da ampliação do acesso à arte. O espetáculo conta também com o apoio do Instituto Cultural Sérgio Magnani e do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet.

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A primeira temporada do espetáculo foi realizada no Parque Municipal, entre 30 de junho e 16 de julho e contou com a presença de mais de 1800 espectadores.

A direção é de Rita Clemente, indicada ao Prêmio Shell SP 2008 e Prêmio Qualidade Brasil SP 2008 com Amores Surdos (Grupo Espanca!). Rita Clemente é graduada em Educação Artística pela UEMG e em Artes Cênicas pela Fundação Clóvis Salgado – onde lecionou, durante 10 anos, no Curso Técnico de Formação de Atores. Foi ainda professora no Curso de Licenciatura em Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto.

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O elenco de Proibido deitar é composto pelos integrantes do grupo O Clube, com experiências e formações profissionais distintas, como Carolina Rosa, graduada em Artes Cênicas pela UFMG; Patrícia Siqueira, com ampla formação em teatro e dança contemporânea; Isaías Campara; Daniel Toledo e Regina Ganz - que assina também a Produção Executiva da peça, formados pelo Curso Livre de Teatro do Galpão Cine Horto.

Contatos no telefone 31 8887-5091.

Fotos: Teresa Marinho

domingo, 23 de agosto de 2009

Livro: a alma de cada escritor

Escrever sobre livros é um privilégio. É como falar de amor, do humano que habita em cada um de nós, do sutil, do eterno, do universo, dos encantos, da vida. É entrar, ou tentar entrar na alma de cada escritor, nas suas histórias, aventuras, desventuras, ódios e terror. É imaginar as idéias fluindo, se agregando com experiências, desejos, crenças e mistérios.
Antes da existência de cada livro, existe um processo de vida que impulsiona a mente, os dons, à determinação e o trabalho para se chegar finalmente a uma obra, nem sempre publicada. É ato de renuncia, das noites e dias molhados no suor dos abraços que não foram dados, dos olhares tantas vezes impedidos, do falar escasso. Os dedos percorrendo os teclados, ou em máquinas sobreviventes de um período ainda recente, ou quem sabe, nas canetas correndo fortemente as páginas soltas no espaço. Cada qual com sua imaginação ou realidades marcantes no tempo incerto da gente.
Escritores são, antes de tudo, anjos que nos conduzem a um mundo mirabolante, com formas, cores, choros, risos e amores estonteantes. Buscam pra nós o que há de mais sábio - o sonho. Assim, nos transportamos e vivemos uma vida que passa também a ser um pouco nossa. São capazes de nos fazer sentir personagens, ruelas, noites, espaços e famílias como se fossem as nossas.
Existem publicados inúmeros exemplares de livros em todo o mundo, com gostos variados para todo leitor. É a democracia da escolha. Não importa se é romance, poesia, biografia, ensaio, conto ou peça para teatro. Cada qual se encaixa em um ser com vontade de se deixar levar pelas mãos do escritor, através das palavras combinadas e ritmadas.
A cada livro lido, sensações variadas surgem - amor, ódio, indiferença. Alguns livros são incluídos na lista dos mais vendidos, outros sequer são conhecidos. Isso tudo muitas vezes independe da competência do autor ou do conteúdo qualificado das escritas. Muitas vezes é empatia, sorte, acaso ou meramente determinação do universo.
São muitos os escritores nacionais e internacionais habilidosos no trato com as palavras. Envolventes e perspicazes vão lapidando nossas faculdades psíquicas, intelectuais e morais até chegar à reta final, interrompendo ali um conduzir de afagos ou desdém.
Tenho prazer de ler Rubem Alves, professor Hermógenes, Philip Hoth, Adélia Prado, Paulo Coelho, Clarisse Lispector, Ziraldo, Graciliano Ramos, Fernando Veríssimo, Carlos Drumond, Cecília Meireles, Jorge Amado, Agatha Christie e tantos outros.

Hoje, faço aqui uma homenagem aos escritores do mundo através do Paulo Coelho (foto). O autor de livros como "O Diário de um Mago", "As Valkírias", "O Alquimista" já vendeu em todo o mundo mais de 100 milhões de exemplares e foi o autor mais vendido do mundo no ano de 2003 com o livro "Onze Minutos". Recebeu em 2008 o prêmio "Guinness World Record" com "O Alquimista" pelo livro mais traduzido do mundo (67 idiomas). Paulo Coelho comemora amanhã, dia 24 de agosto, 62 anos. Parabéns ao brasileiro, escritor, blogueiro, artista, compositor e pacifista!


domingo, 16 de agosto de 2009

Sabe aqueles dias que a gente não define bem o que está sentindo? Pois é... lembrei-me da música Roda Viva, do Chico Buarque.

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."

Fui deixando fluir o sentimento e me senti como uma semente segura pela terra. Dai pensei em quantas sementes essa terra aconchega e abriga. Muitas vezes é necessário um romper com atitudes, se jogar no espaço para se tornar uma planta que se alimenta de vida. Agora sei o que é ser uma semente.


Semente (Cleusa Vieira)

Hoje amanheci me sentindo uma semente

Envolvida pela casca dura que me detêm à explosão da vida

Protegida, mas humanamente querendo sair da condição de espera

Muito abrigo, pouco sonho, muita resignação

Pouco a pouco fui me imaginando com alma voadora

Alma que rompe o estado litúrgico

Cresci em afeto, em querer, no espaço

O calor da terra me deu meios para romper com as pressões

O escorrer da chuva me deu maciez no corpo e lágrimas pra me soltar

Lutei com o tempo, cantei as feridas, iludi o apego

Fui assim crescendo até ver bem de pertinho a claridade do sol

Agora posso sentir a brisa do ar, o orvalho, o barulho da vida

Não sou mais semente, eu sei

Não tenho mais abrigo, eu sei

Tenho agora pela frente um caminho para o crescimento

Uma janela para abrir com lampejos e suores a cada dia

Já não sou a mesma, mas me orgulho disso

Sinto uma força que me leva pra dentro de mim mesma

Sinto uma história que já faz parte de minhas veias

Agora como planta, me encanta cada gotícula da primavera

O caminho já me faz conter o pranto

Estou mais confiante nas estrelas, pois delas exalam pura convicção

A certeza de ser mais encanto e me propor esse canto que agora sorri em mim.

sábado, 15 de agosto de 2009

Turma do Pererê

A Revista da Turma do Pererê do Ziraldo completa 50 anos



A Turma do Pererê é uma história criada pelo cartunista Ziraldo para homenagear os amigos de infância. Assista na Rede Brasil, de segunda à sexta, às 10h e 13h. Na Rede Minas, aos sábados às 13h. Confira!
A Turma do Pererê, obra de Ziraldo criada em 1960 na revista O Cruzeiro, deram origem a histórias culturais e tipicamente brasileiras, onde imaginação e magia se fundem. Os personagens foram criados, baseados em seus amigos de infância de Caratinga: o macaco Alan; a onça Galileu; o coelho Geraldinho; a tartaruga Moacyr; o casal de João-de-barro Quiquica e Pimentel; a coruja Paulo Nogueira; o tatu Pedro Vieira; o saci que é representado pelo próprio Ziraldo.
Ziraldo imortalizou seus amigos através de histórias em quadrinhos, teatro, televisão, livros, músicas, DVD. A Turma do Pererê se encontra freqüentemente, inclusive já estão agendados no 1º Salão Internacional de Humor Gráfico de Belo Horizonte que acontece de 10 de setembro a 18 de outubro, na Casa do Baile, Pampulha. Os amigos de Caratinga, cartunista Camilinho, da Revista Jararaca Alegre e o artista Edra, idealizador da Casa do Ziraldo de Cultura, já marcaram presença.
No ano de 2010 a Revista a Turma do Pererê completa seu cinquentenário, que já está sendo comemorado com muita festa e programação cultural.




Amigos e amigos-irmãos

Sabe aqueles amigos que chegam sempre na hora certa? Quando você está precisando de uma palavra amiga, de incentivo e de demonstração de carinho? Pois é! Tenho amigos-irmãos que são assim. Uma dessas amigas é a Graça Hess. Uma mulher guerreira, espirituosa e muito alegre. Somos também amigas do Orkut e ela sempre está me mandando uma poesia, na grande maioria de sua autoria. Parece horóscopo, sempre dou uma olhadinha e, batata! As palavras sempre caem como luvas no meu dia!
Hoje ela me mandou uma poesia linda! Veja só:

"Sou música e poesia.
Sou mulher, moleca e amiga.
Uns me invejam,
outros me odeiam,
alguns me querem bem,
mas poucos me amam.
Odeio egoísmo, arrogância, pessoas falsas e pretensiosas.
E odeio excessivamente os pré-julgamentos.
Mostro ser forte e durona,
mas sou muito frágil e sensível.
O amor é, sem dúvida,
o sentimento mais nobre que existe.
Não gosto dos que falam sem pensar...
Sem medir as palavras.
Eu enxergo muito além do óbvio.
Tenho visão seletiva...
Na verdade, eu estou bastante seletiva.
Tenho meus medos,
minhas alegrias,
desejos e fantasias.
Na maioria das vezes,
sou o que falo e não o que faço.
Adoro política ...
Estou à beira de uma revolução.
Tenho um lado sensivel,
aliás, quem não tem?
Guardo minhas agendas, cartas, fotos.
Tenho fome por conhecimento.
Aprendi a aceitar os defeitos...
Relevar os erros.
Aprendi que o medo no fundo nos dá coragem.
Para seguir adiante...
Sempre! Mesmo."
bjs
GRAÇA HESS

1º BH Humor

O 1º Salão Internacional de Humor Gráfico de Belo Horizonte acontece de 10 de setembro a 18 de outubro, na Casa do Baile, na Pampulha. As inscrições estão abertas até o dia 1 de setembro pelo site www.bhhumor.com O tema é o lixo e as categorias são Cartum e Caricatura. Haverá também o Prêmio Escola Especial. Mais informações no site ou na Prefeitura de Belo Horizonte.

Meditação ao alcance de todos

Quem já praticou meditação sabe a importância dessa prática para nossa energização interna. Para meditar não precisa possuir uma religião, crenças ou algum mestre yogue. Basta se dar um momento, estar em total descontração e procurar a paz. Aos poucos, cada um de nós vai encontrando a maneira mais apropriada para se chegar dentro de si mesmo.
Boa sorte! Quem provou gostou. Quem não provou, não perca mais tempo! Meditar é um ato de amor a si e a quem se ama!
Transcrevi uma entrevista com o monge Naradananda, discípulo de Paramahansa que explica os principais benefícios da meditação.


MEDITAÇÃO
O "paraíso portátil" ao alcance de todo

Nessa entrevista exclusiva ao informativo Cultura para Paz, o monge Naradananda, discípulo de Paramahansa Yogananda, explica os benefícios da meditação para o nosso dia-a-dia. Seu mestre, Paramahansa Yogananda, autor do livro Autobiografia de um Iogue – é considerado um dos maiores instrutores espirituais da atualidade e foi um dos primeiros mestres da Índia a trazer para o Ocidente as técnicas milenares da ciência da meditação.

Nascido em 1893, em Gorakhpur, no norte da Índia, Yogananda passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde escreveu extensivamente sobre a arte de viver em harmonia e onde fundou aSelf-Realization Fellowship, que tem a finalidade de disseminar e preservar a pureza e a exatidão dos seus ensinamentos para a posteridade. O monge Naradananda é membro da Ordem Monástica da Self-Realization Fellowship há mais de 35 anos e esteve recentemente em visita ao Brasil, dando palestras e iniciação emKriya Yoga, uma técnica científica e avançada de meditação.

Em sua opinião, qual é o motivo para o crescente interesse pelos ensinamentos de Paramahansa Yogananda?

Vejam como está o mundo hoje. Será que as pessoas são felizes? Estão satisfeitas? Estão seguras? Vejam como se encontra a economia! Vejam o que está acontecendo nestes dois últimos meses! Algumas pessoas perderam todos os seus bens.

Acho que as pessoas estão, cada vez mais, procurando algo diferente daquilo que os bens materiais podem lhes oferecer, porque se dão conta de que essas coisas não são suficientes para lhes fazer felizes!

Deparamo-nos com muitas coisas ruins, as absorvemos e elas impressionam nossa mente, causando bastante tensão. As pessoas não foram treinadas para lidar com esse tipo de situação. De um lado, há inteligência, há talento, mas, por outro, há demasiada pressão para desenvolver esses talentos. A pessoa se questiona: “Como posso ser feliz com tanta pressão? Preciso cuidar da minha família, quero ter uma carreira próspera, mas há muita pressão ao meu redor!”

Nos séculos passados, havia mais harmonia, mais calma, maior possibilidade de convivência com a natureza. Hoje em dia, a tendência é a de acumular muitas coisas externas para distrair nossa atenção e tirar nossa calma. Precisamos de uma “trégua”, precisamos relaxar. Estamos muito tensos. É por isso que as pessoas procuram algo que lhes proporcione verdadeira paz, que afaste a tensão, que possa trazer realização perene. E temos, para isso, a meditação ao nosso alcance.

Paramahansa Yogananda previu que isto ocorreria: toda essa preocupação que estamos vivendo atualmente. Então, por isso, penso que a Ioga e a meditação oferecem alívio às coisas que estão ocorrendo.


Qual é o objetivo principal da Self-Realization Fellowship?

O objetivo principal da Self-Realization Fellowship, estabelecido pelo nosso fundador, Paramahansa Yogananda, é disseminar, no mundo inteiro, os ensinamentos para o aprendizado da meditação. Só assim poderemos compreender que somos mais do que este corpo físico, mais do que a mente, que temos uma centelha divina residindo em nosso corpo, a alma, que faz com que possamos ter controle sobre o nosso corpo.

O objetivo principal da meditação é ter a experiência de Deus. Todos nós podemos descobrir isso se fizermos o esforço, mesmo neste mundo tão agitado. Iremos encontrar dentro de nós o amor, a alegria, a paz, a calma e a segurança. Paramahansa Yogananda chamou isso de “paraíso portátil”. As técnicas de meditação que ele nos ensinou permitem que possamos nos interiorizar e sentir que somos almas, que somos filhos de Deus e que temos o direito, como têm os filhos de quaisquer pais, de receber Dele essa atenção, ou seja, de poder sentir a presença de Deus aqui e agora.

Paramahansa Yogananda nos ensinou, no entanto, que a meditação é metade da batalha e que a outra parte é aprender a amar a Deus. Ou seja, desenvolver a devoção, que nos motiva a percebermos que Deus é amor e que o nosso maior objetivo é o amor. Queremos o amor e queremos ser amados. Deus é esse amor supremo. Então, assim que tivermos isso, estaremos plenamente satisfeitos.

Além das técnicas, Paramahansa Yogananda nos deu outro método: o do caminho equilibrado. E como é esse princípio? Como podemos conduzir nossas vidas em meio a tantas circunstâncias diferentes? Podemos começar através da alimentação, do exercício físico e da redução da tensão. Experimentamos tensão física, mental, psicológica – muitas coisas que precisam ser eliminadas. Yogananda nos deixou ensinamentos para nos ajudar a ser felizes. E é isto que queremos: ser felizes. Mas queremos ser eternamente felizes. Esta é a chave. Podemos ter vestígios de felicidade, mas ela não é permanente.

Precisamos ter o conhecimento mais profundo de nós mesmos como almas e perceber que Deus é quem nos dará essa felicidade duradoura – uma felicidade que ficará conosco não apenas nesta vida, mas em outras também.

O que faz com que a Kriya Yoga seja considerada uma técnica de meditação avançada?

No livro Autobiografia de um Iogue, Paramahansa Yogananda escreveu um capítulo sobre a Kriya Yoga, que é a técnica de meditação mais elevada que ele nos deixou. Essa é uma técnica psicofisiológica, descoberta na Índia, que lida tanto com a mente quanto com as correntes de energia. Esse tipo de técnica é conhecida como pranayama.Prana é a energia que desempenha as diversas funções vitais no corpo; yamasignifica “controle”. A Kriya Yogaobjetiva o controle dessa força vital. É uma avançada técnica de meditação que nos permite acelerar a nossa evolução espiritual.

Paramahansa Yogananda diz que normalmente levam-se anos para se obter apenas um pequeno desenvolvimento ou avanço espiritual. Esse “avanço” se encontra inter-relacionado à coluna vertebral, onde existem diversos centros de energia vital que executam diferentes funções no corpo. Com a Kriya Yoga nós aprendemos a controlar certas correntes de energia e fazer com que elas circulem em volta desses centros através de métodos que têm essa finalidade. Por meio dessa prática, aprendemos a acalmar naturalmente a nossa respiração, a reduzir os batimentos cardíacos – o que, essencialmente, fazemos no sono. Quando dormimos, a energia retorna à coluna vertebral e ao cérebro, mas isto é feito inconscientemente. Por que nos sentimos descansados quando dormimos? Porque, inconscientemente, entramos em contato com nossa verdadeira natureza. Mas, também podemos fazer isso conscientemente, pela prática da Kriya Yoga.

Esse é o objetivo principal dessa técnica, praticando-a regularmente e de forma consciente, somos capazes de experimentar mais a paz e a alegria que sentimos quando dormimos. Quando dormimos profundamente, sabemos, ao acordar, que tivemos um sono tranqüilo porque nos sentimos revigorados. Dizemos que é porque dormimos bem, mas não sabemos o que aconteceu. Com a meditação, vocês realizam isso com a consciência do que está acontecendo.

Como podem a prática da Ioga e dos ensinamentos da SRF contribuir para a paz mundial?

A alma, nossa verdadeira natureza, faz parte de nosso ser, no seu estado natural. A paz, a calma, a serenidade são o oposto da agitação, das lutas que estão em conflito com a alma e que imperam no mundo. Obviamente, há países, religiões e vários fatores diferentes que contribuem para esses conflitos. Quando, porém, por meio da meditação começamos a perceber que existe nas outras pessoas algo – uma essência – que “se parece comigo” e quando procuramos saberquem elas realmente são, entramos em contato com aquele verdadeiro ser que brilha dentro de cada um de nós. Quando compreendemos isso, há uma manifestação natural de paz, de calma e percebemos as pessoas como irmãos ou irmãs, porque podemos sentir que somos almas como elas próprias são. Não enxergamos apenas um país distinto, com suas diferenças sócio-políticas, ou uma religião em particular, com seus rituais ou dogmas; podemos ver e aceitar a todos num contexto muito mais amplo, numa expansão de consciência.

Quando meditamos, isto realmente acontece. A meditação expande a consciência humana tornando-a divina. Paramahansa Yogananda fala disso naAutobiografia de um Iogue. Ele explica que já estamos na era atômica e fala dessa energia em particular, de como ela pode ser canalizada de forma construtiva. A meditação é o meio de utilizarmos essa energia para o nosso benefício e para o bem de todos.

Como conheceu a Self-Realization Fellowship e por que resolveu tornar-se monge?

Nasci no centro dos Estados Unidos da América, exatamente no sul de Chicago, em uma fazenda. Cresci em meio à natureza. Como todos os jovens, fui à faculdade e me formei. Nos anos 1970, havia um grande interesse pela Ioga. Dei-me conta que, apesar de ter um diploma de bacharel, não me sentia totalmente feliz. Tinha uma carreira, queria ter dinheiro, mas também pensava: “preciso viver”. Já tinha lido algo sobre a Ioga, quando, ao ler uma revista, vi um anúncio sobre a Autobiografia de um Iogue e pensei: “Isto parece interessante.” Encomendei o livro e três dias depois, já tinha acabado de ler.

Percebi que na capa do livro havia uma nota dizendo que era possível solicitar lições para aprender a meditação. Parecia como um barco salva-vida. Era aquilo que precisava e queria. Mas, ao mesmo tempo, sabia que Paramahansa Yogananda era um monge e tinha lido um pouco sobre a sua ordem monástica. Podem chamar isto de “impulso” – porém, havia dentro de mim, um sentimento muito forte, que me dizia que não poderia realmente ser feliz a menos que fizesse aquilo 100%; não poderia ser 50%; não poderia ser 75%. Precisava fazer aquilo 100%. Pode parecer engraçado, mas quando escrevi à Self-Realization Fellowship para pedir as lições, disse no segundo parágrafo: “A propósito, gostaria de ser monge!”

Muito cortesmente, responderam: “Recomendamos, mas, antes de qualquer coisa, deve começar a praticar as lições.” Levou mais ou menos três anos antes de conseguir entrar no ashram. Mas mantive o desejo. E não me arrependo!

O senhor mora num ashram? Como é o cotidiano da comunidade?

Moro atualmente em um ashram que é um dos mais novos da SRF, fundado em 1980, chamado Hidden Valley. Está situado no leste da Califórnia, perto de San Diego e Encinitas. É um ashram para homens que desejam experimentar a vida monástica, sem precisar assumir esse compromisso. É também um retiro espiritual, onde as pessoas podem vir passar os finais de semana, ou ficar até por três semanas.

O ashram fica no interior, longe da cidade, na natureza; é muito sossegado. Sou muito feliz. Estou de volta aos meus dias na fazenda, quando era criança.

Como é a rotina diária no ashram?

Um dia típico no ashram é assim: acordamos aproximadamente às 5:30h da manhã. Realizamos uma meditação individual e depois uma meditação em grupo. Após o café da manhã, iniciamos as tarefas. Como moramos em uma fazenda, há muitas tarefas típicas de qualquer estabelecimento ligado à agricultura como, por exemplo, cuidar de árvores, das plantas, dos jardins, etc. Temos também jardins para meditação, dos quais cuidamos, eliminando as ervas daninhas, podando arbustos, plantando flores, etc. Como dispomos de uma grande área, alguns cuidam também da manutenção dos edifícios e do conserto de carros, tratores e ferramentas.

Alguns realizam tarefas na cozinha. Eu trabalho no escritório, coordenando as tarefas administrativas deste ashram em particular. Dentro de nossa rotina monástica, estão incluídos aconselhamento aos visitantes e residentes, ao ar livre. Ao meio dia, praticamos uma meditação em grupo e depois almoçamos. Voltamos às nossas tarefas até às 16:30h, quando temos um período de recreação onde jogamos vôlei, praticamos hatha yoga ou qualquer outra atividade física. O ashram oferece muito espaço ao ar livre, onde podemos caminhar, correr e fazer diversas coisas em conexão com a natureza. No final da tarde, após um jantar leve, realizamos novamente uma meditação em grupo, seguido de um período para estudo e meditação pessoal, antes de nos recolhermos.

Nos finais de semana, temos serviços de meditação com duração mais longa. Tudo isso proporciona muito equilíbrio. Procuramos praticar o silêncio o maior tempo possível – não apenas silêncio pelo silêncio em si, mas praticar o silêncio como fazia o místico católico do século XVII Irmão Lourenço – isto é, falar com Deus interiormente, praticando a presença Dele em nossas vidas. Isto nos ajuda muito.

Entrevista exclusiva fornecida ao Informativo Cultura para a Paz - Omnisciência, durante a visita monástica da Self-Realization Fellowship ao Brasil, em outubro de 2008. Pede-se a citação da fonte para a reprodução dessa entrevista.

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Matéria transcrita do site da Editora http://www.omnisciencia.com.br/News/entrevista_1.html