quinta-feira, 4 de março de 2010

Côncavo e convexo artísticos de Niemeyer

Foto: Eugênio Sávio

Hoje é um dia histórico. Histórico politicamente e pela conquista de um futuro artístico arrojado e socialmente integrante. Hoje está sendo comemorado o dia do aniversário dos cem anos do presidente Tancredo Neves. Tancredo de Minas, da esperança, das lutas e glórias, do sonho da presidência democrática e da desilusão pela morte arrebatadora de seu líder. É também o dia da inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, um marco artístico e inclusivo.
Entrar na Cidade Administrativa é trilhar um futuro limpo e agregador do côncavo e convexo da arquitetura brilhante de Niemeyer, um gênio da composição do concreto, artístico, paisagístico e humano. Tudo se agrega. Tudo se integra. Tudo se enquadra. É ele o criador desse espaço inusitado e brilhantre de composição e traços. Bendito Tancredo, bendito Niemeyer, bendito Aécio Neves! São vibrantes de futuro e de humanidade.


Quando cheguei à Cidade Administrativa, no início do dia de hoje, fui tomada por um sentimento patriótico, de grande orgulho dessa nossa terra-Minas. Foi assim, paixão à primeira vista, daquelas que arrebentam todos os fios ligados à razão. Olhar essa majestosa obra de arte à distância é totalmente diferente de adentrar em seus mais misteriosos caminhos. É energia de amor, coisa que só pessoas dotadas de muita sensibilidade poderiam ofertar para nosso povo.
O maior vão livre do mundo prendia com sua energia os convidados, trabalhadores e políticos participantes. Ah, como é bom sentir o sonho dos mestres como Niemeyer e Tancredo! Imponente arte por sua dimensão, acolhedora por suas curvas e incorporação.
Logo no início, foram eles, os trabalhadores, que uniram tijolo por tijolo daqueles traços que iniciaram a festa. Anunciada pela mestre de cerimônia Cristiane Torloni, com seu encanto e lembranças do tempo das Diretas Já, fez arrepiar todos os sentidos naquela performance dinâmica dos trabalhadores que orquestravam com seus capacetes um ir e vir, pincelando nomes dos principais representantes de nossa histórica Minas Gerais. A cada gesto, a cada passo, se ouvia o som do Peixe Vivo, inundando de suavidade e orgulho os mais de 8 mil integrantes da solenidade. Aplausos verdadeiros se fizeram chegar àqueles que possuem a dureza da massa de mais de 4 mil metros cúbicos de concreto e a delicadeza do esculpir os entornos e contornos do maior vão livre do mundo, com seus 150 metros de cumprimento, resultando no côncavo e convexo olhar de Niemeyer.
Foto: Wellington Pedro

A seguir, Fafá de Belém, sozinha, vestida das cores da bandeira mineira na rampa que dá acesso ao auditório JK, cantou o Hino Nacional Brasileiro. Apenas sua voz e o microfone, depois um leve arranjo, um crescente aumento do agudo até se juntar às batidas dos corações do público. Coisa dos deuses! Maravilhosa voz e interpretação, a cada gesto dos braços e o balançar dos cabelos ao vento era como se ali estivesse sendo erguida a bandeira de Minas.
Agora, entra em cena nosso cantor das Gerais, Milton Nascimento, com Coração de Estudante, embalando as imagens da vida de Tancredo, Niemeyer e da construção da Cidade Administrativa, sonho maior de Aécio Neves. Muitas lembranças passaram por minha memória, dos tempos das Diretas Já, das ruas e das bandeiras em curvas sopradas pelo coral dos brasileiros exigindo o fim da ditadura militar. Lembranças dos sindicatos, do nacionalismo, dos ideais do nosso povo. Depois a dor pela perda do nosso primeiro representante civil que ocuparia o Palácio do Planalto e os nossos corações cheios de desejos de liberdade. Tempo histórico, vibrante e comovente.
O cenário agora é do neto de Tancredo, Aécio Neves. Fez um discurso perfeito, com tom de despedida. Despedida de Minas, seja como candidato ao Senado ou à presidencia da República. Politicamente e partidariamente Aécio não condiz com meus anseios de cidadã, mas se integra aos meus propósitos mais firmes da conciliação, harmonia e competência humana. Os presentes gritaram várias vezes por Aécio na presidência. Mas, estava ali o seu algoz político, José Serra, tirando do PSDB a única chance de seguir até o segundo turno na candidatura à presidência da República, em oposição à candidata do PT, ministra Dilma.
Política é assim, como nuvem vai e volta e se transforma a cada segundo. Acredito ainda que ao PSDB nada resta a não ser convocar Aécio para tomar frente ao cargo de candidato à presidência, juntamente com um vice do PMDB. O quadro político assim seria aberto, com José Serra candidato forte à reeleição do governo de São Paulo. Dilma por sua vez poderia se aliar abertamente ao Ciro Gomes, onde montariam uma parceria fortíssima para conquistar a vaga do Palácio do Planalto. Minas teria os candidatos Hélio Costa e Anastasia como vice; Patrus pelo PT e Itamar Franco ao Senado.
Dia de comemorações e sentimentos fortes. Parabéns Tancredo! Parabéns Niemeyer! Parabéns Aécio Neves! Parabéns ao povo mineiro! Parabéns ao trabalhador brasileiro!