domingo, 10 de janeiro de 2010

Falando de política...

A política está em minhas veias. Há muitos anos, meu avô materno, médico higienista, cardiologista, ginecologista e obstetra clinicou em Pirapora, terra natal de minha mãe e tia. Quase sempre se deparava com situações densas, onde ele, o único médico da cidade, era fortemente combatido pelos políticos de plantão, desses que o Brasil certamente se envergonha até os dias de hoje. Ele, homem sério, de família abastada de Santa Bárbara e Ponte Nova, abandonou sua terra e seus bens materiais por amor a minha avó Joana Rosa e pela ideologia socialista que o acompanhou em cada gesto de seus dias. Era um Alvarenga de fibra, lutava pela melhoria da qualidade da saúde da cidade que escolheu para viver e trabalhar com a profissão que lhe rendeu muitos inimigos políticos, mas milhares de amigos cativos, clientes que o tinham na mais terna gratidão. O Dr. Antônio de Alvarenga como era conhecido, não fazia de sua profissão uma ponte para o enriquecimento e sim usava seu dom para minimizar inúmeros sofrimentos provenientes de doenças impiedosas que atingiam quase sempre pessoas humildes, moradores de uma cidade sem saneamento básico e recursos destinados ao tratamento da saúde da população. Atendia a todos em sua residência, pois ainda não havia hospitais naquela região de Minas. Ao escutar as batidas em sua porta, se engravatava, vestia seu melhor terno e, sem distinção de classe econômica ou credo, atendia a todos com a maior competência e um sorriso acolhedor. Se o cliente podia pagar a consulta, recebia seus honorários e se o cliente era desprovido de recursos financeiros, recebia ele sempre um muito obrigado e um Deus lhe pague com muito carinho. Sempre foi assim. Morreu pobre, socialista, amado pela grande maioria da cidade e nunca se vendeu aos interesses dos políticos locais ou de afortunados coronéis inescrupulosos. Morreu dormindo, um presente do céu para quem sempre foi suave como a brisa e forte como a tempestade.
Vem dai minha admiração pela grandeza de caráter, pela fibra, hombridade, pela generosidade e pelo amor ao próximo. O homem é um ser social e político na expressão mais profunda da palavra. A política que gera benefícios para uma sociedade, constroi alicerces de caráter e edifica os anseios de um mundo melhor por onde passa. Essa é a real expressão do termo que hoje está quase sempre deturpado.
Sempre discorro sobre política com meus amigos e familiares, sem tons autoritários da razão, mas com o som que vem da alma. Gosto de observar os caminhos do presente do Brasil e do restante do planeta, está no sangue dos Alvarengas.
O assunto de hoje no horário de almoço foi a suposta candidatura do governador de Minas Aécio Neves ao Senado. Ao observar que o Relações Públicas, Cerimonialista do Palácio e nosso amigo Manoel Guedes estava na mesa próxima no PIC, resolvi perguntar a ele qual era a sua posição a respeito do governador Aécio e sua candidatura ao Senado brasileiro. Manoel, com toda a sua bagagem política acha que foi uma decisão acertada, pois ainda jovem, o governador pode certamente se candidatar futuramente ao cargo de presidente do nosso país.
Penso, repenso e digo minha visão política atual dos acontecimentos mais recentes envolvendo Aécio Neves e o PSDB.
Até hoje o governador de São Paulo, José Serra, não oficializou sua candidatura à presidência do país. Será mesmo ele o candidato do PSDB? Acho pouco provável. O partido perde o apoio do PMDB e de outros partidos menores com a saída de Aécio ao pleito do Palácio dos Despachos. Os paulistas do PSDB certamente brecaram a entrada de Aécio como candidato e de José Serra como vice. Aécio Neves, raposa na arte política, soube dar seu cheque-mate ao partido. Ele se candidata ao Senado e leva com ele o apoio dos partidos políticos, deixando o PSDB a ver navios, ou seja, tornando inviável a candidatura de Serra, pois fica ele assim, com poucas chances de uma vitória. Os paulistas colocam mais uma vez o PSDB em situação delicada: perdem a presidência da República e o governo de São Paulo? Acho que não. É preferível um pássaro na mão do que dois voando, não é assim? Se José Serra sair condidato a suceder Lula, certamente perde sua chance de ser reeleito como governador de São Paulo, pois Geraldo Alckimin não será páreo para Ciro Gomes. Também não tem força pessoal e política para enfrentar sua candidatura sem apoio de outros partidos. Resta a Serra a sua candidatura a reeleição ao governo de São Paulo, contando com a máquina administrativa a seu favor e o fato de que os paulistas ainda são mais conservadores nos votos.
Entra em cena, o governador Aécio Neves, como candidato único do PSDB, juntamente com os partidos que o apoiam. É tudo ou nada para o PSDB. O partido não é feito apenas de políticos paulistas e essa é a única alternativa a meu ver, para que eles possam estar no páreo contra Dilma.
Pessoalmente não sou fã de Aécio, Serra, FHC, Alckimin e seus correligionários. Estão em uma sinuca de bico, como diriam os antigos. A política de Lula é forte e está nas mãos do presidente. Não se iludam quanto a Dilma ser uma candidata apenas de Lula. É uma mulher inteligente e atuante. Quando ficar de frente a telinha e demonstrar sua fluidez de pensamento e de comunicação irá conquistar uma grande parte desse país. Não se pode esquecer também que uma mulher candidata, ligada diretamente ao presidente Lula, envolvida com a política há décadas é, certamente uma super-candidata a governar o Brasil e se sair muito bem.
Será que FHC pensa ainda em ressurgir das cinzas?

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